quarta-feira, 29 de julho de 2015

Desesperança



Eu sei que sonhar é pouco
Que grande é a capacidade de desabar
E não receberei suas flores
Nem o valioso ouro anelar.

Não mais tenho o gosto das coisas belas

Perdeu se em mim o desejo da poesia
Resta apenas essas minhas ruínas
E o desespero de ainda acordar.

Qual destino esse meu

Das sombras e da não existência
Querer parte fazer
E do nunca mais voltar.

Não receberei suas flores

Que o meu coração tanto sonhara
Nem irei nobremente o meu dedo
Com seu amor enfeitar.

Tudo bem, há de um dia

Quem sabe em outra Terra
Eu possa novamente aqui
Erguer meus olhos a lhe esperar.

MÚSICA, LUZ E A CRIAÇÃO



Acreditem todos
No que irei relatar
Foi Deus que fez a luz
Em um simples balbuciar

Disse sob som de violino
Na língua de um canário
Do homem e o menino
Fez  a vida um relicário

Em seu mais profundo sono
Sonhou o iniciar
Como um belo conto
Na aurora do falar

Depois fez o resto
Fez oceano e deserto
O ladrão e o honesto
Moral e o que realmente é certo

Numa dança esquisita
Num passo celestial
Pintou sete estrelas transcritas
No palco universal

Deixou som de violino
Viajar nas asas da luz
No voar de um destino
Que nos seduz

Deus deixou sua moradia
Pra viver com o sonho
De criar a claridade do dia
Com ar risonho

Desde então
Acreditem todos
A luz veio de uma canção

Colorindo os seus gostos

quarta-feira, 22 de julho de 2015

MÃOS



Mãos em
direção
das mãos 
que são
tuas

Mãos feias
sozinhas
pálidas
sombrias
sem as
tuas

Mãos
junto aos
dedos teus
completas
são belas
num gesto
de amor
entre nós
minhas
e tuas.

terça-feira, 21 de julho de 2015

BRASILIANO



Eles acharam
que tinham achado
o Brasil.
De barcos
emplumados
desembarcaram 
nesse solo varonil.
Trouxeram
a cruz e a espada,
derrubaram
Arabutan
e o chamaram
de pau-brasil.
Depois que eles
acharam que
tinham achado
e aqui chegaram,
o meu povo
que aqui morava
desapareceu e,
nunca mais alguém
os viu.

domingo, 19 de julho de 2015

LÁGRIMA



Os óculos colheram
uma lágrima.
E deixados tristemente
sob o caderno,
a lágrima escapou
e juntou-se as palavras
que o coração
sangrava.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

FIM DE JULHO





Meio de julho
E o frio
Que era presente
Se vai
Esvai
Gota a gota
Anunciando
Agosto

Já canta
A sabiá
No fundo
Da grota
Enquanto
Julho acaba
E o gosto
Do vento
Se esgota

Já eu
Dia após dia
Contraceno
Numa eterna
Despedida
O adeus
Nada terno
Ao inverno
Dessa vida
E nada mais
Me importa.

domingo, 12 de julho de 2015

MOR



Se digo
incansavelmente
euteamo
é porque
dentro de mim
inexoravelmente
por ti
bate meu coração

Não recusas
o meu euteamo
caso o contrário
precipita-me
em um vazio de caos
de não-amação.