domingo, 12 de abril de 2015

BEIJO DE HORTELÃ



Lua
Naquele dia
Não pude
Lhe ver

O céu
cravejado
De estrelas
nuas
E eu
Feliz versejava
Pela rua
E não lhe vi
Nascer

Tão bela
Poesia
Daquela
Noite
Sem Lua
Que do céu
Não vi
Juro!
Não vi
Entardecer

Perdoe-me
Oh Lua
Pela desatenção
Naquele bendito dia
De beijos de hortelã
Estava eu
A amar
Juro!
Não pude
Não pude lhe ver.

FIM DE TARDE



Tarde morna de abril. E o Sol majestoso em seu porte esconde-se mais uma vez atrás da montanha. Escuto a sabiá cantando no fundo do quintal. Quanto tempo faz que não a escuto em louvor ao fim de mais um dia. Hoje ainda é domingo e estou aqui no meu quarto juntando as peças do meu quebra-cabeça. A minha vida é esse quebra-cabeça de peças bagunçadas e que parecem que não se encaixam em lugar algum. Estou tentando me rejuntar. Me alinhar ao que fui um dia. Mas acho que isso não vai acontecer nunca mais. A vida nos ensina a sermos mudança e a não voltarmos ao ponto de partida. Nos transformamos. A sabiá que canta no fundo do quintal sabe disso. Seu canto é semelhante aos dos seus pais e avós. Mas até mesmo ela mudou com o tempo. Eu sou agora um ser desjuntado que na sua figura humana busca colar os cacos e formar uma nova imagem para usar nesse caminho chamado vida.