quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Borboletas...

Elas não são brancas
nem azuis
nem amarelas
São borboletas
bem livres
aquarelas 
Umas bobas
Já outras
más 
Mas sempre
vivas
a tremular.
Verdes
camufladas
e vermelhas 
Numerosas
Solitária
Borboleia 
Vida breve
mas por nada
se assemelha 
Em cor
leva vida
a vida leve
borboleta.


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Com uma câmera fotográfica e um desejo imenso de juntar imagens, não perdi tempo nem a oportunidade e comecei o meu primeiro Borboletário. Essas acima são algumas da minha coleção.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Triste Sem-fim



Sem-fim
Sempre fora
A ave da noite
Canta o raio da Lua
Louva a chuva
Em setembro
Faz da melancolia
Companheira sua

Sem-fim
É ave do breu
Nasceu livre
Mas de uns tempos
Pra cá
Deu de querer
Quebrar o silêncio
E sair da escura mata
E cantar canto seu

Sem-fim
Ficou feliz
Ao ver as belezas
Do mundo que o cercava
Encheu-se de prosa
E pôs a cantar
Seu coração
Mas isso
Não prestava

Pobre ave esse
Sem-fim...
Seu canto é triste
E a palavra que traz
À terra dos sabiás
Não serve
Não presta
Não há poesia
Alimento de carcarás

Sem-fim
Então se guarda
Novamente
Sob a lástima
Do Sombrio
Onde a dor faz morada
No silêncio
De sua vida
Destino seu
No vazio.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O elefante



O elefante
Todo prosa
Silencioso
No seu falar
Quis vestir-se
De ópera
Mas não sabia
Cantar

O elefante
Todo sonhador
Insistente
No seu pensar
Quis livre
ser poeta
Mas não sabia
Rimar

O elefante
Todo bobo
Foi tão longe
No seu andar
Intermináveis
Distâncias venceu
Mas não sabia
O que era
Parar

O elefante
De olhos erguidos
Do pensamento
Além do imaginar
Olhou para o céu
Estrelas viu
Mas não sabia
que não se pode
Desejar

O elefante
De cor azul
Bebeu de nuvens brancas
Sorriu sorrisos
A se alegrar
Feliz estava
Mas não sabia
Que poderia se ferir
Ao sonhar

O elefante
Contudo
Trajando
Seu coração
A versejar
Fora mesmo ferido
Silenciosamente
Com a dor
E não sabia
Com essa lidar

E elefante
Desconhecia
Das coisas
Do mundo
Era de se espantar
Vida queria
Mas quis saber
Mesmo assim
Experimentar

O elefante
Agora
Nada prosa
Ainda bobo
Todo azul
De corpo ferido
Dos olhos a chorar
Sabe na pele
Como dói
Amar.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Ainda há tempo?

De se sustentar em seus ideais e procurar entre tantas certezas o que você sonhou quando ainda era permitido sonhar? 

De lançar voo com as criaturas pequenas e se livrar das correntes arbitrárias que você mesmo criou para se conformar com o mundo das coisas onde não há espaço para o inimaginável?

De olhar para sua volta e ter a liberdade de se encantar com o que existe de mais belo porque não se deu conta dessas coisas essenciais a sua vida, já que se manteve tão ocupado com as regras da padronização?

 De semear gentilizas e sorrisos, mesmo diante do deserto gélido da indiferença e da arrogância que muitos impõem a sua condição?

 De esperar a hora certa para colher frutos doces e generosos que a própria vida pode lhe proporcionar?

De aprender com os dias tristes e não se entristecer mais com o pôr-do-sol, muito pelo contrário: se fortalecer com os últimos raios de Sol por saber que amanhã será outro dia?

De Olhar para o lugar onde vive e se orgulhar de fazer parte desse lugar sem medo ou vergonha ou qualquer outro tipo de ferida que possa ainda assim lhe trazer alguma dor?

De encontrar abrigo onde você menos espera e garimpar ouro de sua própria história e fazer valer tudo que viveu esse tempo todo?

De se levantar antes que a luz toque sua segurança e respirar fundo, pois sabe que a jornada é grande, que os obstáculos são quase intermináveis e que mesmo assim, tudo há de passar?

De enfrentar o que for necessário para guardar em si o mais valioso e frágil de seus bens e apesar do inóspito determinismo dizer que não dará certo? 

De jamais esquecer que um dia você foi criança e que mesmo com todas as intempéries da própria existência, ainda assim, soltou-se novamente ao infinito e ao desconhecido?



então...

só lhe resta 

seguir em frente

e fazer valer a pena!




sábado, 3 de agosto de 2013

Sem graça

(Fotografia: arquivo pessoal de Aparecida Moraes. Pedra do Baú vista do Sul de Minas)

Solicito
Ao senhor
O sol
Sorrateiro
Somente
Para
Semear
Luz
Em mim

Só tenho
Essas
Sombras
Sempre
Escuras
Nada
Sacras
Sobrepondo
O meu
Horizonte

Sonhos
São
Incertezas
Cercadas
De bolhas
De sabão
Que sopradas
Explodem
No espaço
Da indiferença

Quando
O sol
Não vem
Só me resta
A certeza
Sombria
Da mão
Sobreposta
Da fria
Solidão.