quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Paixão


(Quadro de Botero)


Há um desprazer
Des-sentido
Impune dentro do ser
Algo atroz
Que fere a letra
Que sequestra a alma
Que incendeia o nome.
Dizem ser paixão
E que tudo é bonito
E que na ávida vida
No amor se refaz
Se contradiz
Se impulsiona
Se sente.
Paixão é o seu nome
Que consome
E destrói
Que constrói
Que cega
Que se despedaça
No infinito sonho
De um dia ter ao seu lado
O amor de outrora

Cometer erros é fatal
Não aceita a humanidade
Não permite o volta atrás
Não se compadece
Nem se importa
Nem abre a porta
Ao passar.
Entra arrombando
Assaltando
E assassinando as mesmices
Os dias, a Lua, as estrelas
Faz-se presente no peito
Enquanto envenena
Com doces palavras
A poesia de cada amanhecer.
É a pior das doenças
A mais temível dor
Pois dilacera aos poucos
Corrói o coração
Arranca-lhe os tuns
Silencia os olhos
E devasta o amanhã.

Ofertam comida
Não há fome
Se tem sede
Não se pode beber
Se deita
Não dorme
Se acorda
Não sonha
Se ama
Euteamo é insignificante
E toda a amação
Nada importa
Nada existe
Nada pôde
E se insiste
Perde a razão
A face
O seu ser.

Paixão
Este é o seu nome
Maldita entre todas as flores
Maldita entre todas as letras mais doces
Maldita entre as alturas.

Foge se puder
Esconda seus passos
Nunca beba da paixão
Senão
Quando não mais puder
Sucumbirá
Feito fruta madura
Que cai
Que se esvai
Que se perde
Ao des-sabor do não-viver.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Assim é...


Quando estou chão, dou passagem as formigas e andarilhos
Quando estou céu, rasgo negrume de noite com piscar de vaga-lumes
Quando estou árvore, enfeito-me de sabiás-laranjeira
Quando estou triste, viro pôr-do-sol e me deito sob montanhas
Quando estou gramática, traduzo a conversa de saracura com o brejo
Quando estou com fé, comungo das mangas, goiabas e jabuticabas
Quando estou feliz, procuro o beijo dos beija-flores
Quando estou Poeta, viro do avesso com a poesia
Quando estou lágrimas, deixo escorrer riachos para não gelar a alma
Quando estou criança, solto pipa e me deixo soltar
Quando estou pedra, fico em silêncio ouvindo tudo
Quando estou passarinho, voo sob girassóis e margaridas
Quando estou música, junto-me as cigarras na primavera
Quando estou amando, somente amo, nada mais
Quando estou sonhando, deixo me levar pelo desconhecido
Quando estou sem palavras, deixo que meus olhos falem por mim
Quando estou livre, viro poesia.

Início e Fim




Amar
Mau-amar
Desamar
Em dor

Armar
Matar
Morrer
Por amor?

Ar
Mar
Viver
Pela flor

Há de amar
Muito mais
Que a própria dor.

Estrela Cadente




Os olhos erguidos
São levados ao céu
Buscam desesperados
Por uma estrela ao léu

Tão belas em seu brilho
Riscando
Cortando
Cadente em um fio

Suplicam os corações enamorados
Num pedido secreto
Jamais revelado

Estrela cadente
Incandescente
Bondosa.
Realiza o sonho de quem ama
Num piscar de olhos
E sorridente
Se veste
De estrelas
Caídas.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Câmera fotográfica, carrinhos e muita imaginação

Dei ao meu sobrinho a liberdade total de usar e abusar da única câmera fotográfica que tenho. E ele sem medo algum saiu correndo com um sorriso largo no rosto, a novamente fotografar o que estamos rotineiramente acostumados a ver. E ele fotografou tudo! Nos mínimos detalhes. E observando o resultado dessa empreitada e porquê não: brincadeira, o que mais me chamou atenção foram essas de seus carrinhos. E se prestarmos bem atenção, ele com seus cinco anos de idade consegue nos contar uma história completa com apenas alguns cliques.