quarta-feira, 20 de novembro de 2013

SER O QUE OS OUTROS NÃO SÃO



Ser poeta é ser uma provocação
É viver desnudando a natureza
Reinventando a criação

Ser poeta é sobreviver as dores
E seguir em frente
Ao lado da imaginação

Ser poeta é comungar dos ventos
É olhar para dentro
E ter certeza que há poesia

Na solidão.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

O canto do curiango


O curiango
Que canta
Sozinho
Nesta noite
Que de estranha
Nada tem
Canta o canto
Tão sombrio
Do céu sem estrelas
Cujo amor
Não se veem

O curiango
Sabe das coisas
Que o coração
Dilacerado
Jaz sozinho
Também sente
O quanto são
Doloridas
As lágrimas
Que aqui se tem

O curiango
Voa
Vai longe
Entre as sombras
Canta o destino
Enquanto o poeta
Ainda marcado
Leva nada findo
O sentimento
Do nunca mais
De seu bem.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Pensamentos!


"O que você pensa de mim não vai mudar quem eu sou, mas pode mudar o meu conceito sobre você."

(MrKappa)

quarta-feira, 30 de outubro de 2013


Tenho estado tão longe de minha natureza, que algo em mim fica frio demais. Deixo livre toda poesia fluir sobre meus dedos e mesmo assim, escuto ao fundo, o fúnebre som das eras passadas, que em suas ruínas guardam a lembrança do que fui. Há de haver um caminho para tanta desolação. Ainda escuto a esperança me acordar com beijos musicais vindo de um simples tico-tico. É época de renovar o ninho, de escolher a semente certa e ergue o cesto pesado da existência e seguir. Feito animal-homem, mulher-poeira, criatura-criação-criador. Torno-me um espécime novo de mistura de Adão e Eva a ser criança no Éden. Não há serpentes nem árvores secretas de frutos proibidos. Em mim, nesse ser que se perde em si mesmo, tento a todo custo erguer-me feito erva-lanceta à beira da estrada de uma jornada de longos horizontes.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Passarinho


Sabiá
Tico-tico
E picharro
De manhã
Ainda leve
Acordam
do sonho
esse vosso
servo
a fenecer

Cantam
Maldizem
Levantam
O Sol
A vida
O corpo
A gaiola
Do meu amanhecer

Não sabem
Que padeço
Que sofro
Que lamento
Por não
Mais escutar
Ou sentir
Ou sorrir
Nesse meu triste viver?

Sabiá
Tico-tico
Picharro
Eu vos imploro
Não cantem
Não me acordem
Não quero mais
Nunca mais
Sofrer

É outubro
Eu sei
Já não mais vejo
Nem escuto
Nem bendigo
As letras
As casas
As flores
Do caminho
A florescer

Minha prisão
É a lida
De cada dia
Desse acorde
Desse lado
Dessa sina
Onde sofro
Onde choro
Onde lembro
O que é o meu viver

Sabiá
Tico-tico
Picharro
Eu vos imploro
Não cantem
Não me acordem
Não quero mais
Nunca mais
Sofrer.

domingo, 13 de outubro de 2013

CAVERNA


Trancados
Calados
Olhando
Sorriso camuflado
Máscaras vestidas
E passamos a vida toda
Acreditando
Sonhando
Que o teatro de sombras
É nossa realidade

O mais sábio de nós
Percebe
Questiona
E vê
Que o reflexo
Não é
Reflexão

O condicionador do pensamento
Nos abandona
Nos condena
A escuridão

Na entrada da caverna
O inconformado
Abre os olhos
Vê além
Acredita que o real
Possui três lados:
O dele
O nosso
E a interação

Quando volta
Fala
Tenta liberdade
É alvo
É morto
Pelo mais tolo de todos nós
Você
Eu.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Primaverando-se

A primavera sempre me traz alegria. E sendo a primavera a época em que as flores preenchem nossos olhos, colorem nossos sonhos e perfuma nossas vidas, quero aqui usar todo esse meu gosto por esta estação e dedicar cada flor abaixo às pessoas que como a primavera, fazem a mim muito bem e que deixam minha vida repleta de felicidade.



Para minha FAMÍLIA: Ísis, a flor da continuidade.


Para minhas COLEGAS DE TRABALHO: Rosa, a flor da superação constante. 


Para meus AMIGOS (AS). Primavera, a flor da alegria


Para meus COMPANHEIROS(as) de ESTRADA: Lobeira, a flor da coragem e da força



Para AQUELES que rezam por mim: Romã, a flor da fé.


Para os POETAS. Pessegueiro, a flor da poesia.




quinta-feira, 19 de setembro de 2013

LUA



Lua
Naquele dia
Não pude
Lhe ver

O céu
Era
cravejado
De estrelas
nuas
E eu
Feliz versejava
Pela rua
E não lhe vi
Nascer

Tão bela
Poesia
Daquela
Noite
Sem Lua
Que do céu
Não vi
Juro!
Não vi
Entardecer

Perdoe-me
Oh Lua
Pela desatenção
Naquele bendito dia
Estava eu
A amar
Mas hoje
A fenecer.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

SARACURA TRÊS-POTES


Era de manhã
Saracura acorda
Não sabe se
É luz
Ou escuridão

Canta a cura
Mas não sara
A solidão

Foi descuido
Não sabia
Que a sua vida
Era pote
Três lindos potes
Distração

__Quebrei três potes!
Lamentava aos berros
Ave do brejo
Três potes
Três potes
Em vão

Do outro canto
Do dia
Ainda turvo
Ainda triste
Perguntava a si mesma:
__Quantos, quantos?
Coração.

Três potes
Quebrei três potes
Quebrei três
Potes
Potes
Potes
Por distração!

Desse dia em diante
Saracura
Passou a cantar
Antes do dia
Antes da noite
Os três potes
De sua sina
Canção.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

SEM AMOR



Por que amar?
Amar é sofrer
Jamais é viver
E amamos...
Como somos bobos ao amar

Pudera nascermos
Da máquina
Da fusão do não amor
Jamais saberíamos
Significado de dor

Ao lhe ver
Não haveria lágrima
Nem sorriso
Nem coração em batucada dentro do peito
Por você a bater

Seria tão mais fácil, sem o tal amor
As manhãs seriam as mesmas
Os jardins os mesmos
As tardes apenas tardes nada mais

E a saudade? Onde ficaria?
Não existiria no dicionário de nenhum povo
Todos caminhariam
O mesmo percurso
Sem sofrer
Sem muito querer
Sem nada no peito
Apenas no bolso
Os réis dessa vida bendita
que será sem o amor

Pense: a música sem acordes
animaria nossos ouvidos iguais
nada de ancestral em nós
nada de coisa alguma
de amar e desamar

No mundo sem amor
Seríamos paz.

Pense: porque existe o amor?
Só para fazer sofrer
O ensaguentado coração
Em pura dor
Que ferido sofre
Perenemente
Por você.

Sem amor
A vida seria mais fácil
E até mesmo a flor
Não mais cobiçada
Não seria colhida
Para o frio fim
Do corpo
Fadado
A amar.

PAIXÃO



Há um desprazer
Des-sentido
Impune dentro do ser
Algo atroz
Que fere a letra
Que sequestra a alma
Que incendeia o nome.
Dizem ser paixão
E que tudo é bonito
E que na ávida vida
No amor se refaz
Se contradiz
Se impulsiona
Se sente.
Paixão é o seu nome
Que consome
E destrói
Que constrói
Que cega
Que se despedaça
No infinito sonho
De um dia ter ao seu lado
O amor de outrora

Cometer erros é fatal
Não aceita a humanidade
Não permite o volta atrás
Não se compadece
Nem se importa
Nem abre a porta
Ao passar.
Entra arrombando
Assaltando
E assassinando as mesmices
Os dias, a Lua, as estrelas
Faz-se presente no peito
Enquanto envenena
Com doces palavras
A poesia de cada amanhecer.
É a pior das doenças
A mais temível dor
Pois dilacera aos poucos
Corrói o coração
Arranca-lhe os tuns
Silencia os olhos
E devasta o amanhã.

Ofertam comida
Não há fome
Se tem sede
Não se pode beber
Se deita
Não dorme
Se acorda
Não sonha
Se ama
Euteamo é insignificante
E toda a amação
Nada importa
Nada existe
Nada pôde
E se insiste
Perde a razão
A face
O seu ser.

Paixão
Este é o seu nome
Maldita entre todas as flores
Maldita entre todas as letras mais doces
Maldita entre as alturas.

Foge se puder
Esconda seus passos
Nunca beba da paixão
Senão
Quando não mais puder
Sucumbirá
Feito fruta madura
Que cai
Que se esvai
Que se perde

Ao des-sabor do não-viver.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Chuvarada



Chovendo em mim
Em Minas ainda chove...
Lágrimas descendo montanha abaixo
E eu, na minha sede de escrever
Escrevo geografias
E mapas pequenos
Sem rosas
Sem ventos
Desvendando o Brasil em regiões
Compartimentado
Tais distâncias
Molhadas
Das águas dessa chuvarada

Chuva
Chuviscos
Chuvosos
Encharcados
Chovem lágrimas
Que lavam a alma
Do poeta
Que chora
Chuvaradas
Na beira
De sua estrada.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Ventania



O vento que sopra os mundos
Que sopra a vida
Que sopra a terra
É o mesmo vento do ano passado
Do ano anterior
Dos dias de 1980

Vento que sopra tudo
Que traz cheiro conhecido
Dos tempos vividos
Das vidas chorosas
Da lágrima ainda fria
Da água primeira de dezembro

Sopra esse vento a minha vista
O meu horizonte
A minha amação
A poeira da estrada distante
Dos dias mornos de pré-verão

Vento que craveja o céu de estrelas
Que vem do Sul
Do Oeste
E daquela direção
Onde lanço meu olhar
Onde fica minha lembrança
Onde o vento nasce
E lá faz ventar
As árvores
As flores
As aves
Os livros
Os impossíveis sonhos
Que não amanhecerão

Vento esse
Que vem
Que sopra
Que beija
Que chega
E que se vai
Enquanto a’lma
Aqui em mim fica
E o que fica
É essa contínua
Sempre
Solidão.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Sem primavera


Sou como a árvore que estica seus galhos ao céu. Imploro pela primavera e oferto mil folhas ao vento. Não sou ouvido. Me calo frente ao frio e deixo que as formigas vaguem por mim. Sou eu que vago pelo obscuro mundo de onde todos os demônios deixam suas garras afiadas apontadas à minha loucura. Espero ansioso pela primeira chuva de setembro, enquanto arde em mim as feridas dos invernos que demoram a passar e me devoram enquanto vivo. Qual destino esse meu: ser como a árvore seca a lançar olhares laicos ao firmamento e sem esperança alguma fingir acreditar no dia seguinte. O silêncio toma conta, e o vazio feito fonte rio e mar... se expande, se alastra. Do contrário, eu, me ligo a um galho onde só a primavera tardia é testemunha do que digo, do que sinto e que nem mesmo as flores são capazes de colorir. 

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Borboletas...

Elas não são brancas
nem azuis
nem amarelas
São borboletas
bem livres
aquarelas 
Umas bobas
Já outras
más 
Mas sempre
vivas
a tremular.
Verdes
camufladas
e vermelhas 
Numerosas
Solitária
Borboleia 
Vida breve
mas por nada
se assemelha 
Em cor
leva vida
a vida leve
borboleta.


___________________________________________________

Com uma câmera fotográfica e um desejo imenso de juntar imagens, não perdi tempo nem a oportunidade e comecei o meu primeiro Borboletário. Essas acima são algumas da minha coleção.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Triste Sem-fim



Sem-fim
Sempre fora
A ave da noite
Canta o raio da Lua
Louva a chuva
Em setembro
Faz da melancolia
Companheira sua

Sem-fim
É ave do breu
Nasceu livre
Mas de uns tempos
Pra cá
Deu de querer
Quebrar o silêncio
E sair da escura mata
E cantar canto seu

Sem-fim
Ficou feliz
Ao ver as belezas
Do mundo que o cercava
Encheu-se de prosa
E pôs a cantar
Seu coração
Mas isso
Não prestava

Pobre ave esse
Sem-fim...
Seu canto é triste
E a palavra que traz
À terra dos sabiás
Não serve
Não presta
Não há poesia
Alimento de carcarás

Sem-fim
Então se guarda
Novamente
Sob a lástima
Do Sombrio
Onde a dor faz morada
No silêncio
De sua vida
Destino seu
No vazio.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O elefante



O elefante
Todo prosa
Silencioso
No seu falar
Quis vestir-se
De ópera
Mas não sabia
Cantar

O elefante
Todo sonhador
Insistente
No seu pensar
Quis livre
ser poeta
Mas não sabia
Rimar

O elefante
Todo bobo
Foi tão longe
No seu andar
Intermináveis
Distâncias venceu
Mas não sabia
O que era
Parar

O elefante
De olhos erguidos
Do pensamento
Além do imaginar
Olhou para o céu
Estrelas viu
Mas não sabia
que não se pode
Desejar

O elefante
De cor azul
Bebeu de nuvens brancas
Sorriu sorrisos
A se alegrar
Feliz estava
Mas não sabia
Que poderia se ferir
Ao sonhar

O elefante
Contudo
Trajando
Seu coração
A versejar
Fora mesmo ferido
Silenciosamente
Com a dor
E não sabia
Com essa lidar

E elefante
Desconhecia
Das coisas
Do mundo
Era de se espantar
Vida queria
Mas quis saber
Mesmo assim
Experimentar

O elefante
Agora
Nada prosa
Ainda bobo
Todo azul
De corpo ferido
Dos olhos a chorar
Sabe na pele
Como dói
Amar.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Ainda há tempo?

De se sustentar em seus ideais e procurar entre tantas certezas o que você sonhou quando ainda era permitido sonhar? 

De lançar voo com as criaturas pequenas e se livrar das correntes arbitrárias que você mesmo criou para se conformar com o mundo das coisas onde não há espaço para o inimaginável?

De olhar para sua volta e ter a liberdade de se encantar com o que existe de mais belo porque não se deu conta dessas coisas essenciais a sua vida, já que se manteve tão ocupado com as regras da padronização?

 De semear gentilizas e sorrisos, mesmo diante do deserto gélido da indiferença e da arrogância que muitos impõem a sua condição?

 De esperar a hora certa para colher frutos doces e generosos que a própria vida pode lhe proporcionar?

De aprender com os dias tristes e não se entristecer mais com o pôr-do-sol, muito pelo contrário: se fortalecer com os últimos raios de Sol por saber que amanhã será outro dia?

De Olhar para o lugar onde vive e se orgulhar de fazer parte desse lugar sem medo ou vergonha ou qualquer outro tipo de ferida que possa ainda assim lhe trazer alguma dor?

De encontrar abrigo onde você menos espera e garimpar ouro de sua própria história e fazer valer tudo que viveu esse tempo todo?

De se levantar antes que a luz toque sua segurança e respirar fundo, pois sabe que a jornada é grande, que os obstáculos são quase intermináveis e que mesmo assim, tudo há de passar?

De enfrentar o que for necessário para guardar em si o mais valioso e frágil de seus bens e apesar do inóspito determinismo dizer que não dará certo? 

De jamais esquecer que um dia você foi criança e que mesmo com todas as intempéries da própria existência, ainda assim, soltou-se novamente ao infinito e ao desconhecido?



então...

só lhe resta 

seguir em frente

e fazer valer a pena!