sábado, 29 de setembro de 2012

Seguindo


(Rodovia MG 295 junto as pétalas caídas de uma árvore em flor)

Há tanta coisa para se fazer
E eu mesmo vendo o dia acabar
Ainda me acorrento às duas horas
De uma tarde qualquer


(Rosas Vermelhas do jardim que perfuma o lugar onde espero o ônibus das 7hs)

Há tanta poesia para se ler
Tantos versos ainda no ventre
Da imaginação
Prontos ao mundo
Em prantos
E eu a me perder de vista
Nas divagações do tempo
Do curto tempo que ainda me resta


(Igreja Matriz de Brasópolis sob o Sol do meio-dia)

Há tanto que se fazer
E eu ainda num súbito suspiro de vida
Flores deixo colorir o meu olhar
Ainda escuto o som das crianças
A sorrirem demasiadamente sob o Sol
Das dez e meia da manhã


(Roxas flores do alto de uma árvore que se enfeita em um dia cinza)

E em cada sacro dia
Sob os estigmas da madrugada finda
Eu me levanto para seguir em frente
Enquanto há tanta poesia para ser lida
Em um canto
Dessa minha vida.


terça-feira, 18 de setembro de 2012

Por todas as crianças


Ouso bater a porta
e pedir em nome
daqueles que se foram
e que creram no amor

Faço dessa canção
minha canção
E se na jornada perdi a fé
aqui eu a renovo
na esperança
de que um dia
haja lugar para todos nós
junto a Ti!


Em 28 de abril de 2012, leigos Católicos e amigos reuniram-se em Menneapolis, Minnesota (EUA) para dar voz á sua fé, á sua esperança e à sua consciência.

Cantaram nesse dia como refúgio para todos os jovens que descobrem quem são e quem amam.

Cantaram como testemunhas do abraço forte e abrangente do amor de Deus.

Cantaram num apoio claro ao amor e compromisso partilhados pelos casai do mesmo sexo e suas famílias.

Esta é a sua canção:



Por Todas as Crianças

Meu Deus, reunimo-nos como Teu povo
para elevar a nossa canção ao alto,
E ousamos reclamar a promessa do Teu amor.
Embora o dia ainda não tenha chegado,
Confiamos que brevemente o fará,
Quando os teus filhos serão livres.

Oh, que possam os nossos corações
e mentes encontrar-se abertos
As portas da Igreja abertas de par em par.
Que possa haver cá dentro espaço suficiente para todos.
Pois em Deus há um acolhimento,
Em Deus todos pertencemos.
Que possa esse acolhimento ser a nossa canção.

Oh, cantamos por todas as crianças
Para que um dia possam ser livres;
E cantamos pelas gerações ainda por vir,
Para que nunca tenham uma razão
para duvidar que são abençoados.
Que possam eles, no Teu amor encontrar aconchego.

Oh, que possam os nossos corações
e mentes encontrar-se abertos
As portas da Igreja abertas de par em par
Que possa haver cá dentro espaço suficiente para todos
Pois em Deus há um acolhimento,
Em Deus todos pertencemos.
Que possa esse acolhimento ser a nossa canção.

Oh, rezamos por todas as vidas
jovens encurtadas pelo medo e pela vergonha
Com tanto medo de quem são e de quem amam
Possa a mensagem de que o Teu amor
é só para alguns, ser agora banida
Que possa a sua fé em Ti ser renovada

Oh, que possam os nossos corações e
mentes encontrar-se abertos
As portas da Igreja abertas de par em par
Que possa haver cá dentro espaço suficiente para todos
Pois em Deus há um acolhimento,
Em Deus todos pertencemos.
Que possa esse acolhimento ser a nossa canção.

Meu Deus, trabalhamos pelo futuro
Quando as crianças em todo lado,
Possam levar suas vidas com dignidade e orgulho.
A medida que crescem e força e altura,
Que possam juntar-se a nós mãos nas mãos
Pois contra todos os tipos de ódios nos levantamos.

Oh, que possam os nossos corações e
mentes encontrar-se abertos
As portas da Igreja abertas de par em par
Que possa haver cá dentro espaço suficiente para todos
Pois em Deus há um acolhimento,
Em Deus todos pertencemos.
Que possa esse acolhimento ser a nossa canção.

Que possa esse acolhimento ser a nossa canção.



Com enorme gratidão aos nossos amigos de outras igrejas e comunidades de fé que estiveram e cantaram conosco de modo a co-criarem este momento como uma igreja unida.

Em agradecimento muito especial ao Espírito do Deus Vivo que soprou sobre a Igreja nesse dia.



Tradução e Legendagem: JLP
Rumos Novos – Homossexuais Católicos

sábado, 15 de setembro de 2012

Pedreira



Pedra
encravada
nas veias
de minha Minas
Gerais



Tantos nomes
leva
a pedra
dos caminhos,
animais



da cutia
da loba
até da baleia
imaginais?


Pedregulho
pedrinha
pequena.
Jamais!

Jamais!



sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Indo rumo a Pasárgada



Morre em mim todos os dias que amanhecem
a fala cansada, terna suave sem preocupação
Morre em mim as manhãs de primavera
Fica simples assim, dos que se foram, a canção

Não é mais tempo de plantar nem de colher
Não é mais tempo de ler velhos poemas empoeirados
Não é mais tempo de acreditar que poderá ser diferente
Não é mais o tempo da vida desse louco adestrado

Acabou a festa do sempre conhecimento
Acabou o dia, a tarde e dos sonhos, a madrugada
Acabou o canto da coruja no galho da manga-rosa
Acabou a letra desse alfabeto, tão maltratada

“Vou-me embora pra Pasárgada”
Vou vestido de minha face, livre de qualquer nudez
Vou liberto das velhas e antiquadas amarras
Vou simples, presente e sem a possibilidade do talvez

Que o Sol dessa tarde pungente
Que brilha no fim de uma vida poética
Seja testemunha da cria que fui
Das velhas crenças, tolas e patéticas

Termina em mim o peso dos dias comuns
Acaba por fim, dos ideais a pureza
Somente levo no peito escancarado
Expostas e miseráveis marcas, agora, leveza

“Vou-me embora pra Pasárgada”
Tal como aquele Manuel liberto um dia fez
Vou livre das impostas e fétidas garras
Sem véu e sem sombra alguma de porquês.

sábado, 8 de setembro de 2012

O Fazer Poético


A poesia 
depois que 
ficou enraizada 
de vez 
nos meus olhos 
virou verso 
algumas rimas 
outras prosas 
e assim a poesia
se revela 
e acho de graça 
até em poça d’água. 

Se estou alegre 
escrevo dias 
com gotas de luz 
se estou triste 
pinto letras de cinza 
e desboto flores 
dos vasos fúnebres.

Se estou reflexivo 
pingo pontos 
de interrogação 
e me surpreendo 
com as exclamações.

Se estou livre 
saio 
e voou sem regras 
métricas 
tratados 
e conjugações. 

Se sinto vontade de rir 
debruço sob vícios de linguagem 
e me vicio de virtudes 
morais antiquadas.

Se bate desejo de lágrima 
faço rios brotarem 
de uma única fonte 
e assim eu caminho 
olhando a poesia 
sentindo calafrios 
e escrevendo 
e lendo 
e vivendo a minha vida 
sozinho ou acompanhado 
de destinos. 

O fazer poético acontece 
sem muito planejamento 
é fruto do acaso 
do caso secreto
que tenho
com a espontaneidade.