domingo, 26 de agosto de 2012

Atenas e Minas Gerais



http://prjoseiadrn.blogspot.com.br/2011/10/arqueologia-de-atenas-grecia.html)
Eu nunca estive em Atenas
Nem sei de onde vem as pilastras do Paternon
Não subi os degraus em ruínas
Nem caminhei com os deuses antigos
Pouco sei,
Nada sei,
Sei de nada
Sempre confundo Roma
Por onde também não andei
Nem fiz caminhada

Sei da matriz
Do cruzeiro do Can Can
E do chão que piso

Sei da rodovia que passo todo dia
Das coisas de minha Minas
E do cheiro da laranjeira em flor
E mesmo sabendo dessas poucas coisas
Sei de nada
Nada mesmo
Mas eu gosto de Atenas
E do conhecimento

Que de lá veio
Mas também gosto daqui
Onde só sei que sou menino, apenas.

(Brasópolis ao fundo e o Bairro Can Can sob raios do Sol das 4hs) 

sábado, 25 de agosto de 2012

Na mão direita, a flor


Flores

Há algo de errado em admirá-las?
É pecado dizer que se ama as cores?
As formas?
A maneira como surgem?
 
Quando criança
As roupas pequenas
São bordadas com flores
Sempre-vivas, margaridas, girassóis.

Quando se ama
Presenteia-se os amores
Rosas
Amarelas, brancas, vermelhas
Todas botões
Calores aos milhões

Há algo de errado com as flores?
Com aquele que por elas verseja?

Na fé
Altares são floridos
Pétalas mil
Folhagens aos pés dos santos
Nos cantos, no louvor
Crisântemos, lírios, copos-de-leite
Em nome do amor.

E se os olhos se calam para o mundo
Dormindo o sono dos que se vão
Deitados e cobertos
Ornamentados pela paixão
A sepultura levamos
Flores...

É certo que estão

Na frente de cada casa
Nos vasos
Nos lados
Na vida dos que ainda a veem

Há algo de errado nisso?

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

É pelo caminho que vejo a vida passar e me levando junto a tantas primaveras

Mesmo que todas as folhas caiam 
com os ventos da desilusão,
e a dor fria de um inverno implacável
insistir em rasgar a sua face 
ainda assim escrita estará a esperança
no raiar de um novo dia,
nos galhos de sua humanidade
no caminho que você percorre,
no trabalho que lhe sustenta.
E quando não mais puder sonhar
ou de alguma forma as coisas pareceram difíceis demais,
eleve seu pensamento a flor,
escute o canto daqueles que perderam tudo numa noite de tempestade
e que ao acordarem,
mesmo trajando perdas e feridas
ainda assim,
cantam a vida e caminham pela flor 
Nada é fácil.
Até mesmo as mais simples pétalas
amarelas e festivas
cairão ao beijo da mais furtiva brisa.
E mesmo assim, haverá o que se encantar
no trajeto da existência,
junto a raiz que comunga da profundeza da terra.
E as pequenas e menores alegrias
serão o maior tesouro
do caminho a ser seguido.
O olhar jamais deve esquecer
que mesmo sem motivo algum para seguir em frente
brotarão primaveras
diante do muro da indiferença.






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As imagens aqui não são tão perfeitas como eu queria, foram tiradas de meu humilde e sofrido celular. Não pude resistir e com alguns cliques registrei a poesia que brota no trajeto de minha vida. Essas flores fazem parte de minha caminhada até o trabalho. Impossível ser indiferente com elas. Fazem parte do meu dia a dia e elas sempre me dão bom dia num sorriso de primavera. Eu apenas as vejo, sorrio e sigo com a certeza de que o dia será bom. E será!

terça-feira, 14 de agosto de 2012

As primeiras


Primavero-me
sem saber o motivo certo
sem imaginar nada igual
apenas primavero-me.

curiango já canta
na fresta da manhã
junto as pétalas
amarelas, caídas
de um setembro 
adiantado.

impossível não sonhar
ao enfeitar os olhos
com as primeiras flores
de um Ypê
a primaverar-se.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Agosto Fumarento



( http://www.oatlantico.com.br/edicoes_anteriores/2238/_login/1_capa.htm )

Triste agosto fumarento
De cinzas várzeas
E azulados morros
Símbolo maior da morte
Da dor que sempre tenho
Ao ver mata devastada
Secos campos; desamor

Sudoeste sopra
Chamas leva
Foge paca
Foge onça...
Voa negra garça
Queimada asa
Somente dor

Tantas dores sinto
Nesse desagosto
Neste triste e fumarento agosto
Onde morro
Onde morro!
Quais cinzas mil cobrem
A secura das lágrimas
Morre o beija-flor.


Lixo

É, o lixo.
Onde fica todo o lixo?
Pra onde vai tanto lixo?
É lixo?

Restos são catados a cada dia, feito
laranja doce podre das maiores caídas
no chão nosso de cada dia.

Quantos catam?
Quantas caem?
Quantos se perdem e se vão no vagão mais sujo
do lixo do ser humano...

Só sei que era laranja
o verde esperança
no trabalho de cada dia,
feito assim, a poesia. 

sexta-feira, 3 de agosto de 2012


(Jabuticabeira Florida. Foto: Cida)

Queria poder encontrar uma nova fase para Lua, mas ela só apresenta irremediavelmente quatro, não ficaria satisfeita com outra. Mesmo assim ainda olho o céu e vejo que ele é o mesmo todas as noites, as estrelas são as mesmas e até as pequenas cadentes que reluzem por um segundo sempre no mesmo lugar, são as mesmas. Fico assim meio paralisado olhando esse céu de Minas e constatando que nada mudou. É o céu desde quando eu tinha aquela jabuticabeira no quintal e que meu pai cortou para construir uma edícula. Sei que não tem nada haver eu falar da Lua e de estrelas e de repente eu ir direto à jabuticabeira e na edícula, mas é que tudo parece estar envolvido nas mesmices, junto a essa desesperança que me faz olhar para cima. Tenho que ser sincero: esse texto está uma porcaria. Não adianta, todas as estrelas foram cortadas de minha imaginação, a Lua é mesma em seus 27 dias e cada galho de jabuticabeira que foi decepado diante mim quando eu tinha aquela pouca idade, nunca mais vai me colocar nas alturas para eu ver o céu  de perto e, eu odeio a edícula.