segunda-feira, 30 de julho de 2012

A 1864m de altitude

Pedra do Baú (Estado de São Paulo)


Tive a impressão de tocar as nuvens...


... e ao mesmo tempo ter a certeza de estar tão intimamente seguro ao chão.


Lírios Brancos que mais pareciam...


... flor de estrelas.


Florescendo nas alturas


Brasópolis (Minas Gerais)



Pedra da Loba (ao centro)



Era chuva, mas longe longe.


Abertura da Cúpula


Do alto da Cúpula é isso que se vê ao olhar para leste


Tão baixa que dava até medo



Minas, morros e montanhas


Impossível não admirar



quarta-feira, 25 de julho de 2012

Barbatuques (Carcará)



Sei que o carcará é uma ave assassina, impiedosa e carniceira. Tem um currículo horrível, eu sei. Mas mesmo assim, a admiro. É por natureza a rapina mais bela dos sertões. 

terça-feira, 24 de julho de 2012

Lágrimas Ideológicas



Minhas lágrimas
São labirintos
Jorram inconstantes
Mudas sem instintos

Incógnitas

Lágrimas bandidas
Silenciam o olhar
Cegam o horizonte
Terminam sem amar

Hipócritas

Minhas lágrimas secas
Sertões de puro breu
Fontes miseráveis
Dores de um semi-deus

Apócrifas

Minhas lágrimas
Incoerentes destinos
Ausentes de viver
Revelam meus desatinos

Insólitas. 


Há coisas que precisam ser ditas, mas outras... Apenas sentidas!

Cântico Negro




José Régio

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!



José Régio
pseudônimo literário de José Maria dos Reis Pereira, nasceu em Vila do Conde em 1901. Licenciado em Letras em Coimbra, ensinou durante mais de 30 anos no Liceu de Portalegre. Foi um dos fundadores da revista "Presença", e o seu principal animador. Romancista, dramaturgo, ensaísta e crítico, foi, no entanto, como poeta. que primeiramente se impôs e a mais larga audiência depois atingiu. Com o livro de estréia — "Poemas de Deus e do Diabo" (1925) — apresentou quase todo o elenco dos temas que viria a desenvolver nas obras posteriores: os conflitos entre Deus e o Homem, o espírito e a carne, o indivíduo e a sociedade, a consciência da frustração de todo o amor humano, o orgulhoso recurso à solidão, a problemática da sinceridade e do logro perante os outros e perante a si mesmos.

(http://www.releituras.com/jregio_cantico.asp)

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Por que eu gosto?


Talvez essa pergunta nem faça sentido, geralmente gostamos e pronto. Mas eu adoro esse poema por ele ser assim tão claro e objetivo, ele é rápido, conciso e extremamente belo. Eu acho isso. Vou por onde eu quero e faço o que eu quiser. É uma verdade tão doce! Conceituar liberdade seria o mesmo que declamar Cântico Negro. Liberdade em sua essência! Liberdade para pensar, para agir, para errar, para ser o que se é. Enfim, é um dos meus poemas favoritos.
De verso em verso, resolvi desversejar a mim mesmo e colocar nesse blog outras postagens, algo que gosto, algo que gostei. E quando der na telha posto junto alguns textos que sejam de minha própria autoria. 

Mudarei.

Tudo muda não é? E porquê eu não haveria de mudar?

domingo, 8 de julho de 2012

Aprendência


(Foto: Cida)


Aprendo que ensinar e aprender
Vira logo ensinagem
E depois de muita engrenagem
Da essência
Vira aprendência

Interação constante
Vira é coisa interessante
Compreensão
Vem junto
Juntando, juntado
Os tuns do traçado

Aprendo desde pequeno
Os laços do meu Ó
Traço muito laçado
A curva do fiofó
Fazendo fada fantasia
Erguendo o N acima
Na proa do navio
Desbravando letras e montanhas
Da tal escrita do borogodó

Na aprendência de minha infância
Me faço homem, menino
Sem jamais deixar de ser criança
Na lida
No instinto
No infinito ato de aprender
Ensinar e...
Caminhar!

Alzheimer



(Foto: Victor Said)

Quando colam regras demais
Leis e acordos entre pares
O esquecimento é logo imposto
E não existe alvorecer
Se fosse desse jeito ou daquele
O melhor é ficar quieto
Quem sabe esquecem da ideia
E o que fica é a confusão
Sinceramente já não existe
A lembrança
De toda criação

Como esquecer?
O melhor já foi dito e escrito
O pior também
E das leis
Nada se  fica
Pois esquecer é o limite
Da vã imaginação.