terça-feira, 12 de junho de 2012

Doente Criança



Jogada no chão
Parecia dormir
Criança ainda
Suspirando o fim 
Despida de vida
Doente criança
Despedia da lida
De ser gente grande 
Passos apressados
Indiferentes ao acaso
Enquanto o vento levava
A alma da criança doente
Não tinha sua mãe
Nem pai e nem Estado
Tinha agora estrelas
E nenhuma lhe era cadente.

domingo, 10 de junho de 2012

Mar de Ícaro


("Ícaro e Dédalo", por Charles Paul Landon)

Era tudo tão claro
Asas abertas ao espaço
Nas magnólias do sem fim
Um mar de luz
Um sorriso a eternizar

Ícaro sonhou com o sol
Com alturas do infinito
Quis pra si o céu
Quis o impossível amar

Hélius incomodado
Com tamanha ousadia
Pôs fim a poesia
Que brotava de Ícaro
Incendiou o mar celestial
Botou fogo maior
Da estrela rainha
Do espaço sideral

Pobres asas derretidas
Caídas e afundadas
No mar da iniquidade
No fundo do abismo
Ícaro padeceu
Até o fim da eternidade.

Ideias Impostas


(Lírio Azul. Foto: Victor said)
Nasci menino
Pelo gosto de meus pais
Me fiz menino
Pelo olhar dos demais

Azul era cor imposta
Nunca escolha a cor rosa
Viva somente o que importa
E siga deus em sua ordem
Menino-homem
Jamais o que quiser

O tempo é carrasco
Nos olhos alheios
O mais puro asco
Por verem na criança
O defeito
De ser livre
No pensar e no agir

Depois de longos invernos
Menino cansado
Vi que os alicerces
Vindo da visão do outro
Estavam todos trincados

Nessa verdade oprimida
Num abraço negado
O menino em mim viu a vida
Um teatro de caminho traçado

Azul e rosa tão opostos
Tinha que seguir a lei inerte
Mesmo percebendo que estavam rachados
Os pensamentos dos velhos alicerces.