segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Influências, bagagens e outras interpretações

(O Caminho. Fotografia: Victor Said)

Política, religião e coração
Ciência, brincadeira e imaginação
Descontentamento, sofrimento e solidão
Tudo e pouco...
Traçado nas linhas de minha criação.

O verso veio devagar
Vagando
Divagando
Os devaneios...

A influência é a liberdade
Pois não gosto de arreios
Apenas faço e escrevo sem castidade
Pois minha única lei é ser livre por inteiro
Bordo palavras de minha humanidade
Só pra ter o gosto de ser faceiro mineiro

Sigo de pé descalço e desbravo floresta
Danço em cada queda como se fosse bobagem
E brinco e divirto e entro na festa
Meus olhos são o único refúgio e os levo de bagagem
E quando meu versejar surge é só isso que me resta:
Deixar-me levar nessa inconstante viagem
Rabiscando velhos rótulos impostos a minha testa.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Esmeralda

(Foto: http://www.obeabadosertao.com.br/)


Carregava sem olhar a luz
Olhos fechados
Olhar proibido?

Não resistiu, não podia resistir
Abriu o Sol
Explodiu-se em vaidade
E de deus
Zeus!
Ele se afastou.

Quis ser onipotente
Regente dos céus
Imenso em sua beleza
Arrogância
Precipício dos muitos
Legião formou
Terça parte condenou
Decadência
Geena criou,
Oh Zeus, oh Deus!

Labaredas eternas
Chama
Chama as almas
Seduz
Seduz as almas errantes
Arrasta as correntes e late
Mas só estraçalha
Se você quiser
E vier

Conhece a luz
Conhece a mão do dia
Em agonia
Late
E quer sua perpétua dor
Na chama
E lhe chama:
__Vem!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Assoviando ao acaso

(Woman at the Window: Salvador Dali)


Frente ao culto do mais belo
Diante da face do arbitrário
Compôs versos incertos
Cantou a regra ao contrário

Frente à cultura do adestramento
Diante da pura casta acadêmica
Contra a cultura do condicionamento
Despiu-se da fala à demência

Não teve temor pela fúria que viria
Nem quis saber do som padronizado
Assoviou livre como sempre queria

Expôs a verdade do jeito improvisado
Vestiu-se de sua mais pura poesia
E saiu assoviando-a pela rua do acaso.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Amor de Borboleta

(Monarca. Foto: Victor Said)


Ele queria poder cantar o amor
Não de forma triste
Mas dizer o que pensa, o que sente
Do jeito que nasce no coração
Mas o amor é complicado
Confuso demais
Mistura-se tão fácil aos sentimentos
Escurece mais fácil ainda.

Domina-lhe a mente
Esconde as manhãs e deixa turva
A tarde que ele conhece tão bem
Amor... coisa estranha demais
Pudera seu peito escolher pedras
Dessas que são plantações atiradas
No meio de sua face
E semeadas no caminho que trilha.

Ele queria poder amar como as borboletas
Abrir asas-multicor e voar sob o beijo do Sol
Sem maiores preocupações
Deixar-se levar pela brisa leve
Amar o amar sem fim até o fim
E morrer feliz numa queda de flor
Na pétala mais sublime de um jardim qualquer.

Amor... tão estranho esse sentimento
E dizem que ainda há poesia no amar
Ele, por mais que se esforce
Não consegue entender o amor de uma borboleta
Que morre amando o ar, o Sol e a curta vida que leva.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Marimbondo Prata

(Foto: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Vespa.jpg)


Às vezes acho que o amor não deveria existir, dói tanto, até mais que picada de marimbondo prata em dias de Sol quente.



Gosto de comparar os sentimentos com os seres que habitam as matas e que fazem parte da minha realidade. Nunca imaginei que pudesse não desejar o amor e que esse nobre sentir não deveria existir. Porém, depois de uma grande decepção todas as convicções e crenças caem por terra. 


Amar é uma benção! Apesar de tudo. E deixar de amar chega a ser um crime. Pena que nos dias de hoje haja vários significados e sinônimos para a palavra amor e que muitas vezes tenha caído em desuso ou que seja associado a motivos de chacota ou até mesmo as misérias que assolam a alma humana. 


É perceptível também a confusão entre amor e paixão. Dizem por aí que ambos são diferentes e que caminham em direção oposta. Deixo para que os especialistas nessa área, que meçam com suas arbitrariedades e ciência o tamanho exato de cada um. Contudo, acredito que nada é mais doloroso do que o amor/paixão. Nada mesmo! Nem mesmo a picada de um marimbondo-prata.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Cascavel



Imagine vocês o que acontece
A serpente mais perigosa que há
Seduz com seus olhos o vivente
Deixa sem vida o voraz

Cascavel
Esconde no mato pra matar
Cascavel
Possui em seu beijo o silenciar

Ela vive no campo
Na pedra
Ou na falha do quebra mar
Carrega a sina e o destino
De quem seu caminho cruzar
É amiga e parceira da morte
Silencia e condena
No sul e no norte

Não tem passo e caminha
Toca e canta sempre sozinha
Pra enfim com seu bote
Acabar
Com a vida do sem sorte
De quem não sabe
Amar

Cascavel
Não tem piedade nem dó
Cascavel
Escondida e parida pra viver só

Nos seus lábios o veneno está
Guarda em si os enigmas
Que só ela sabe revelar
Não distingue o bom e mal
Mata sem dó
Num só golpe fatal

Cascavel!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O clic de um Menino

Quando um menino de cinco anos descobre que o tio dele tem uma câmera e esse mesmo tio lhe dá toda liberdade para sair por aí clicando o mundo, o resultado não poderia deixar de ser surpreendente. Se há poesia nesse mundo, provavelmente está nas coisas simples de cada dia e principalmente, no olhar de uma criança.

(Qual é o seu lugar?)

(Manhã de Sábado)

(Quase cada coisa no seu devido lugar)

(Cada coisa no seu devido lugar)

(Vermelhinho)

(Porta do Cruzeiro do Sul)

(O quarto das Cômodas)

(Mini Força Aérea entre letras)

(Shira desdenhando paparazzo)

(Galomarvado e Surinho)

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Aqueles Erros


Língua inculta
Obscura e impura
Velhos erros
Cabalísticos símbolos
Na tábula
Na flor
De Lácio

Língua falada
Orgíaca
Miscigenada
Reformada na escrita
Antiquada
Sempre grácil

Língua na boca
Enrolada e cabocla
Entendida
Estendida
Lima língua
Bela e fácil.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Aromas Plantados

(Fogão à lenha de Lourdes Fávaro dos Santos - Américo de Campos - SP http://www.ctcriopreto.com.br/Tapera%20v%C3%A9ia.html )

Cheiro de passado
Gosto perdido
Cinza no lugar de fogo aceso

Quando ia trabalhar
Passava perto da casa
De vó Inhá
Só pra sentir o perfume
Do cozido no fogão
Era coisa simples
Comida feita com o coração
O perfume era levado
Pra quem tinha
Um pouco
De emoção

Hoje a casa da vó
Está fechada
Janela trancada
E eu só
Fico lembrando
Do tempo
Em que se plantavam
Aromas
Em minha vida.