quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Quando tudo faz sentido


Como eu gosto da Lua,



e do pôr-do-Sol visto da varanda.


Tantos são os meus caminhos,


e mesmo assim ainda me encontro no avesso das coisas.


Como eu gosto das nuvens brancas,


mas jamais quero passar pela vida de semelhante alvura.


Quero saber perder folhas no frio,


para poder ter sentido quando elas voltarem a balançar sob o vento.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012




Lindo linho
Vermelho de pura cor
Testemunha amarrotada
Do nosso amor
Deixado em um canto qualquer
Lençol de meu calor.

Ele passa e lhe usa
Embrulha o corpo nu
Cobre a imagem e não recusa
Meu olhar,
naquele que amo sem pudor.

Não permito tal intento
Derrubo-o com um só beijo
Face rubra ao toque meu
Cai o lindo linho
E acendo em fervor
O corpo
De meu amor.

Venda e Vida



(O que você vê?)

Perfeição
Metrificado
Padrão

E o olhos
Erguidos
Ao azul
Por um segundo

Estrelas nascendo
Outras nem tanto
Longe
Muito distante da massificação

Acordou de manhã
Acendeu a chama
E foi pro trabalho
Em busca do pão
Dia após dia
Trocou saúde,
Vida,
Tempo,
Amor...

Vendeu e comprou
Até não mais ver
E não dormiu mais
Alienou-se
Integrou-se
Junto à massa
Massificando-se pra sempre

Desintegrou-se
Na busca da perfeição
Metrificação
Do padrão.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Sob a Sombra da Poesia



Não acredito na sanidade
Nada poderá ser...
A sombra se estende
Sobre mim mesmo
Sobre o instrumento mais belo:
___A poesia!

Se não acreditar em algo bom
Tudo vira loucura
E a barbárie instala no coração,
Que estava a poetar
Então morre o sonho:
___Sem poesia!

Eu não entendo
Corre uma lágrima lenta
Fria e sem concórdia
Sem nada
Gelando os passos escritos
Finda assim o mais belo:
___A poesia!

domingo, 28 de outubro de 2012

Prefeita Rainha



A galinha d'angola
Falsa fraca no gingado
Cantava
Como tava

Tô fraca
Tô fraca
Tô fraca

Não tem medo
Fraqueza não é sina
Cantar é o fardo
Da galinha d’angola


E ela assim mesmo
canta
Seguindo o destino
De sua suposta fracura

Tô fraca
Tô fraca
Tô fraca

Esperta essa é
Política nata
Trajando vestido de gala
No terreiro mandava
Com seu discurso:

Tô fraca
Tô fraca
Tô fraca


Fraca nada
É só frescura
Ágil d’angola
Dança capoeira
Cisca e belisca
Bica a risca toda oposição
Voa ligeira
Nunca tem medo
De aliado gavião

E em sua postura
De dama das aves
Humilde aos olhos
Dos gansos e canários
Discursava emocionada
Pós eleição

Tô fraca
Tô fraca
Tô fraca

Eleita foi
Em primeiro turno
Com esmagadora vantagem
D’angola é agora
Prefeita Rainha
Da monarquia recém
Decretada

E canta
E dança
E se lambuza
Somente pr’alguns

Tô fraca nada
Fraca tô nada
Nada fraca tô
Azar de quem
Em mim votô.



domingo, 14 de outubro de 2012

Pena de Gavião

(Galizé)

Olha a pena
Do céu Caída
Carece cuidado
Pode ser armadilha.

Olha o alto
Sol forte que cega
__Prudência amigos!
Sombra pode ser um alerta.

Olha a pena
Não parece nada bom
É pena de alada serpente
É pena de gavião?

( Ubiratã e Formoso)

 













Voa d’angola
Corre Carijó
Escapa Zuleica
Correria foi de dá dó!

Olha o silêncio
Falta mais um __Essa não!
Raptados pintinhos no susto
Sem pena pelo malvado gavião.

(Hércules)

sábado, 29 de setembro de 2012

Seguindo


(Rodovia MG 295 junto as pétalas caídas de uma árvore em flor)

Há tanta coisa para se fazer
E eu mesmo vendo o dia acabar
Ainda me acorrento às duas horas
De uma tarde qualquer


(Rosas Vermelhas do jardim que perfuma o lugar onde espero o ônibus das 7hs)

Há tanta poesia para se ler
Tantos versos ainda no ventre
Da imaginação
Prontos ao mundo
Em prantos
E eu a me perder de vista
Nas divagações do tempo
Do curto tempo que ainda me resta


(Igreja Matriz de Brasópolis sob o Sol do meio-dia)

Há tanto que se fazer
E eu ainda num súbito suspiro de vida
Flores deixo colorir o meu olhar
Ainda escuto o som das crianças
A sorrirem demasiadamente sob o Sol
Das dez e meia da manhã


(Roxas flores do alto de uma árvore que se enfeita em um dia cinza)

E em cada sacro dia
Sob os estigmas da madrugada finda
Eu me levanto para seguir em frente
Enquanto há tanta poesia para ser lida
Em um canto
Dessa minha vida.


terça-feira, 18 de setembro de 2012

Por todas as crianças


Ouso bater a porta
e pedir em nome
daqueles que se foram
e que creram no amor

Faço dessa canção
minha canção
E se na jornada perdi a fé
aqui eu a renovo
na esperança
de que um dia
haja lugar para todos nós
junto a Ti!


Em 28 de abril de 2012, leigos Católicos e amigos reuniram-se em Menneapolis, Minnesota (EUA) para dar voz á sua fé, á sua esperança e à sua consciência.

Cantaram nesse dia como refúgio para todos os jovens que descobrem quem são e quem amam.

Cantaram como testemunhas do abraço forte e abrangente do amor de Deus.

Cantaram num apoio claro ao amor e compromisso partilhados pelos casai do mesmo sexo e suas famílias.

Esta é a sua canção:



Por Todas as Crianças

Meu Deus, reunimo-nos como Teu povo
para elevar a nossa canção ao alto,
E ousamos reclamar a promessa do Teu amor.
Embora o dia ainda não tenha chegado,
Confiamos que brevemente o fará,
Quando os teus filhos serão livres.

Oh, que possam os nossos corações
e mentes encontrar-se abertos
As portas da Igreja abertas de par em par.
Que possa haver cá dentro espaço suficiente para todos.
Pois em Deus há um acolhimento,
Em Deus todos pertencemos.
Que possa esse acolhimento ser a nossa canção.

Oh, cantamos por todas as crianças
Para que um dia possam ser livres;
E cantamos pelas gerações ainda por vir,
Para que nunca tenham uma razão
para duvidar que são abençoados.
Que possam eles, no Teu amor encontrar aconchego.

Oh, que possam os nossos corações
e mentes encontrar-se abertos
As portas da Igreja abertas de par em par
Que possa haver cá dentro espaço suficiente para todos
Pois em Deus há um acolhimento,
Em Deus todos pertencemos.
Que possa esse acolhimento ser a nossa canção.

Oh, rezamos por todas as vidas
jovens encurtadas pelo medo e pela vergonha
Com tanto medo de quem são e de quem amam
Possa a mensagem de que o Teu amor
é só para alguns, ser agora banida
Que possa a sua fé em Ti ser renovada

Oh, que possam os nossos corações e
mentes encontrar-se abertos
As portas da Igreja abertas de par em par
Que possa haver cá dentro espaço suficiente para todos
Pois em Deus há um acolhimento,
Em Deus todos pertencemos.
Que possa esse acolhimento ser a nossa canção.

Meu Deus, trabalhamos pelo futuro
Quando as crianças em todo lado,
Possam levar suas vidas com dignidade e orgulho.
A medida que crescem e força e altura,
Que possam juntar-se a nós mãos nas mãos
Pois contra todos os tipos de ódios nos levantamos.

Oh, que possam os nossos corações e
mentes encontrar-se abertos
As portas da Igreja abertas de par em par
Que possa haver cá dentro espaço suficiente para todos
Pois em Deus há um acolhimento,
Em Deus todos pertencemos.
Que possa esse acolhimento ser a nossa canção.

Que possa esse acolhimento ser a nossa canção.



Com enorme gratidão aos nossos amigos de outras igrejas e comunidades de fé que estiveram e cantaram conosco de modo a co-criarem este momento como uma igreja unida.

Em agradecimento muito especial ao Espírito do Deus Vivo que soprou sobre a Igreja nesse dia.



Tradução e Legendagem: JLP
Rumos Novos – Homossexuais Católicos

sábado, 15 de setembro de 2012

Pedreira



Pedra
encravada
nas veias
de minha Minas
Gerais



Tantos nomes
leva
a pedra
dos caminhos,
animais



da cutia
da loba
até da baleia
imaginais?


Pedregulho
pedrinha
pequena.
Jamais!

Jamais!



sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Indo rumo a Pasárgada



Morre em mim todos os dias que amanhecem
a fala cansada, terna suave sem preocupação
Morre em mim as manhãs de primavera
Fica simples assim, dos que se foram, a canção

Não é mais tempo de plantar nem de colher
Não é mais tempo de ler velhos poemas empoeirados
Não é mais tempo de acreditar que poderá ser diferente
Não é mais o tempo da vida desse louco adestrado

Acabou a festa do sempre conhecimento
Acabou o dia, a tarde e dos sonhos, a madrugada
Acabou o canto da coruja no galho da manga-rosa
Acabou a letra desse alfabeto, tão maltratada

“Vou-me embora pra Pasárgada”
Vou vestido de minha face, livre de qualquer nudez
Vou liberto das velhas e antiquadas amarras
Vou simples, presente e sem a possibilidade do talvez

Que o Sol dessa tarde pungente
Que brilha no fim de uma vida poética
Seja testemunha da cria que fui
Das velhas crenças, tolas e patéticas

Termina em mim o peso dos dias comuns
Acaba por fim, dos ideais a pureza
Somente levo no peito escancarado
Expostas e miseráveis marcas, agora, leveza

“Vou-me embora pra Pasárgada”
Tal como aquele Manuel liberto um dia fez
Vou livre das impostas e fétidas garras
Sem véu e sem sombra alguma de porquês.

sábado, 8 de setembro de 2012

O Fazer Poético


A poesia 
depois que 
ficou enraizada 
de vez 
nos meus olhos 
virou verso 
algumas rimas 
outras prosas 
e assim a poesia
se revela 
e acho de graça 
até em poça d’água. 

Se estou alegre 
escrevo dias 
com gotas de luz 
se estou triste 
pinto letras de cinza 
e desboto flores 
dos vasos fúnebres.

Se estou reflexivo 
pingo pontos 
de interrogação 
e me surpreendo 
com as exclamações.

Se estou livre 
saio 
e voou sem regras 
métricas 
tratados 
e conjugações. 

Se sinto vontade de rir 
debruço sob vícios de linguagem 
e me vicio de virtudes 
morais antiquadas.

Se bate desejo de lágrima 
faço rios brotarem 
de uma única fonte 
e assim eu caminho 
olhando a poesia 
sentindo calafrios 
e escrevendo 
e lendo 
e vivendo a minha vida 
sozinho ou acompanhado 
de destinos. 

O fazer poético acontece 
sem muito planejamento 
é fruto do acaso 
do caso secreto
que tenho
com a espontaneidade. 

domingo, 26 de agosto de 2012

Atenas e Minas Gerais



http://prjoseiadrn.blogspot.com.br/2011/10/arqueologia-de-atenas-grecia.html)
Eu nunca estive em Atenas
Nem sei de onde vem as pilastras do Paternon
Não subi os degraus em ruínas
Nem caminhei com os deuses antigos
Pouco sei,
Nada sei,
Sei de nada
Sempre confundo Roma
Por onde também não andei
Nem fiz caminhada

Sei da matriz
Do cruzeiro do Can Can
E do chão que piso

Sei da rodovia que passo todo dia
Das coisas de minha Minas
E do cheiro da laranjeira em flor
E mesmo sabendo dessas poucas coisas
Sei de nada
Nada mesmo
Mas eu gosto de Atenas
E do conhecimento

Que de lá veio
Mas também gosto daqui
Onde só sei que sou menino, apenas.

(Brasópolis ao fundo e o Bairro Can Can sob raios do Sol das 4hs) 

sábado, 25 de agosto de 2012

Na mão direita, a flor


Flores

Há algo de errado em admirá-las?
É pecado dizer que se ama as cores?
As formas?
A maneira como surgem?
 
Quando criança
As roupas pequenas
São bordadas com flores
Sempre-vivas, margaridas, girassóis.

Quando se ama
Presenteia-se os amores
Rosas
Amarelas, brancas, vermelhas
Todas botões
Calores aos milhões

Há algo de errado com as flores?
Com aquele que por elas verseja?

Na fé
Altares são floridos
Pétalas mil
Folhagens aos pés dos santos
Nos cantos, no louvor
Crisântemos, lírios, copos-de-leite
Em nome do amor.

E se os olhos se calam para o mundo
Dormindo o sono dos que se vão
Deitados e cobertos
Ornamentados pela paixão
A sepultura levamos
Flores...

É certo que estão

Na frente de cada casa
Nos vasos
Nos lados
Na vida dos que ainda a veem

Há algo de errado nisso?

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

É pelo caminho que vejo a vida passar e me levando junto a tantas primaveras

Mesmo que todas as folhas caiam 
com os ventos da desilusão,
e a dor fria de um inverno implacável
insistir em rasgar a sua face 
ainda assim escrita estará a esperança
no raiar de um novo dia,
nos galhos de sua humanidade
no caminho que você percorre,
no trabalho que lhe sustenta.
E quando não mais puder sonhar
ou de alguma forma as coisas pareceram difíceis demais,
eleve seu pensamento a flor,
escute o canto daqueles que perderam tudo numa noite de tempestade
e que ao acordarem,
mesmo trajando perdas e feridas
ainda assim,
cantam a vida e caminham pela flor 
Nada é fácil.
Até mesmo as mais simples pétalas
amarelas e festivas
cairão ao beijo da mais furtiva brisa.
E mesmo assim, haverá o que se encantar
no trajeto da existência,
junto a raiz que comunga da profundeza da terra.
E as pequenas e menores alegrias
serão o maior tesouro
do caminho a ser seguido.
O olhar jamais deve esquecer
que mesmo sem motivo algum para seguir em frente
brotarão primaveras
diante do muro da indiferença.






 __________________________________________________________________

As imagens aqui não são tão perfeitas como eu queria, foram tiradas de meu humilde e sofrido celular. Não pude resistir e com alguns cliques registrei a poesia que brota no trajeto de minha vida. Essas flores fazem parte de minha caminhada até o trabalho. Impossível ser indiferente com elas. Fazem parte do meu dia a dia e elas sempre me dão bom dia num sorriso de primavera. Eu apenas as vejo, sorrio e sigo com a certeza de que o dia será bom. E será!

terça-feira, 14 de agosto de 2012

As primeiras


Primavero-me
sem saber o motivo certo
sem imaginar nada igual
apenas primavero-me.

curiango já canta
na fresta da manhã
junto as pétalas
amarelas, caídas
de um setembro 
adiantado.

impossível não sonhar
ao enfeitar os olhos
com as primeiras flores
de um Ypê
a primaverar-se.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Agosto Fumarento



( http://www.oatlantico.com.br/edicoes_anteriores/2238/_login/1_capa.htm )

Triste agosto fumarento
De cinzas várzeas
E azulados morros
Símbolo maior da morte
Da dor que sempre tenho
Ao ver mata devastada
Secos campos; desamor

Sudoeste sopra
Chamas leva
Foge paca
Foge onça...
Voa negra garça
Queimada asa
Somente dor

Tantas dores sinto
Nesse desagosto
Neste triste e fumarento agosto
Onde morro
Onde morro!
Quais cinzas mil cobrem
A secura das lágrimas
Morre o beija-flor.