quarta-feira, 22 de junho de 2011

Niilismos

Valha-me navalha
Alfinetes
Al-Qaeda
Zutabe
Opus Dei...
 

Valha-me ideias novas

Antigas 
Antiquadas
Ideias, ideais apenas...
Flechas de Sebastião
De Pedro
De Maomé
Valha-me tudo
No fio da navalha.

sábado, 18 de junho de 2011

Escrita que Rola e Gira


Escrita que Rola e Gira

É filho que parido rola
É filha que bendita gira
Rola pião
Gira mundão
Escritas
Quantidades
Símbolos
Da abstração

E o homem abrindo a caixa
Gira
Rola e cai

É fogo
Na caverna pré-histórica
Iluminando a imaginação
Nos caninos da serpente, rola
A humanidade fora do portão

No arranha-céu brilha
A luz da comunicação
Aranha que tece e rola
A caixa que gira
A grande bola
Feita de ilusão

Rola
Rola
Rola
Gira
Gira
Gira

Não para não
Pois a escrita, é bendita
Escrita com os dedos
De vossas mãos. 

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Presente


(Monarca, fotografia: Diogo Dias F.)


Quando criança
ganhei de supetão
um beijo de borboleta
no jardim.
Nunca me esquecerei 
daquela tarde 
daquele tempo

Em 2011,
(eu ainda a mesma criança)
Ganhei de presente
o conhecimento
de sua existência.
E foi melhor
que o beijo daquela borboleta
naquela tarde
daquele tempo.

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Circunstâncias que me levaram a escrever esses versos:


Nunca pensei que pudesse me apaixonar por alguém da forma como tudo aconteceu. Sempre me senti seguro com minhas convicções e conceitos, tinha minha ciência e meus argumentos sólidos disso e daquilo outro, mas o que eu achava impossível me abateu com tal força, que todos os sentidos se foram, o firmamento caiu sobre minha cabeça e o solo aos meus pés desapareceu. Perdi o sentido da palavra certeza, da palavra equilíbrio. Um sentimento tão avassalador me possuía com tamanha força que não seria exagero dizer que fui transpassado pela flecha de um ser místico. Então, o único porto seguro era as letras e os versos, poucos e simples, mas esses, me aliviavam a alma quando algo necessitava ser dito, ser escrito. Escrevi esses versos em homenagem ao amor que tive e perdi nesse ano de 2011. Esse pequeno poema é um marco em minha vida, pois antes desse amor eu era um ser, apenas um ser qualquer, mas depois dele, eu sou outro. Nem sei explicar como, mas sei que sou e divido isso com os olhos do mundo. Obrigado!

terça-feira, 14 de junho de 2011

Sinestesia

(Paisagem com Borboletas: Salvador Dali)


Qual a cor da letra
que você está a escrever?
Qual sentido prudente
você usa ao me ver?
Será belo o jardim
da física em explosão?
Ou será apenas um afago
de lua no auge da canção?


Sinto vibrar dentro do peito
a multiplicidade dos dons
Que atrai em mim o sabor
doce e amargo dos bombons
Fecho os olhos e imagino as letras
azuis, amarelas e loucas
Num beijo de confusão,
uma brisa eleva e deixa a voz rouca


No estranhamento é você
ou eu que tenta definir?
São cores, são letras,
são sentimentos a fluir?
Nesse mundo de vastas interpretações
Eu fico contigo, meu amor,
com a melhor das emoções.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Asas Quebradas

(Dragão da Noite, fonte: internet)


Minhas asas negras
Caídas
Manchadas
Não podem mais voar
Não podem mais...

Fosse o céu tão perto
Da palavra que estou a cantar
Seria mais fácil
Mas não é
Perdi minhas asas
Negras asas
A voar

Onde está você?
Onde está o destino que me fez sonhar?
Pra onde foi?
Pra onde foi sua verdade?

Asas...
Não tenho mais
O sonho findou-se
Ceifou
Quebradas jaz

Agora
Nesse solo frio e estéril
Faço palco e finjo viver
Só pra esquecer
Que no céu estive
E que deus
Eu vi.

sábado, 11 de junho de 2011

(Brazópolis, manhã de março, 2011)


O dia em que apanhei



Ainda que todas as flores me sejam negadas
E que meus olhos estejam proibidos de ver os jardins
Eu ainda buscarei o perfume e o sabor das rosas.

Ainda que todas as portas se fechem
Os corações se calem
Eu ainda terei o vento pra beijar a face.

Ainda que o ódio do padrão esteja presente
Que a fúria da ignorância me rasgue o peito,
Eu estarei livre para pensar e acreditar.

Ainda que as guerras levem a morte por toda parte
E que ninguém possa ver a verdade da ganância
Eu mostrarei minha carne em dor.

Ainda que tudo possa ser diferente
E que tudo possa levar ao desespero
Eu vou estar aqui, do outro lado do abismo.  

sábado, 4 de junho de 2011

Acadêmicos

Empirismos
Logismos
Racionalismos e pós...
Logo após
O modernismo
O socio-interacionismo

É Sócrates, Platão ou Aristóteles?
É Agostinho, Aquino ou Roterdã?
Ou será Lutero, Locke ou Marx?

Acadêmicos...
Empíricos
Medindo o conhecimento
__É desse tamanho aqui ó!

Freud, Freud, Freud...
Explicará?
O sentir do amar?
Amar e desamar?
Armar e matar
Matar e nunca mais...

Freud, Jung e Samuels
Será que entra aqui o Berman?
Atenas...
Doce sol de Atenas
Não tão bela quanto brasilis
Não tão generosa quanto aqui
Mas é Atenas...
Gerais formas de conhecer
De construir
Desconstruir
Tecer
Questionar
Compreender e o melhor,
Sentir!

Será que é desse tamanho aqui, ó?

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Coração despedaçado

Era um vaso
tão formoso
Azul
Do mais puro anil
Valoroso
                                                                   Contudo
(fotografia: Filhodalua)
Não há nada
que segure
O vento
E o seu clamor

Sopra vaso
parado
Derruba
Mil cacos espalhados
E o coração
Semelhante ao vaso quebrado
Fica,
Fica assim
Despedaçado.