quarta-feira, 30 de março de 2011

Sob o sol do meio-dia

Ele acorda antes do sol
Antes mesmo do galo cantar
Levanta-se vestido de incertezas
E segue por entre manguezais

Leva na bolsa
Gramáticas
Matemáticas
E ortografias embebecidas de geografias
Algumas histórias do nunca mais

Ergue-se meio moribundo
Junta raios de aurora
E caminha taciturno
Sob o sol do meio-dia
Fazendo dos seus passos rituais. 
Pinheiros e Valles

Conheço tantos versos
Da festa o final
Do caminho à pedra
Da Pampulha o ritual

Nas magnólias do céu
No infinito esmagar
Sou formiga e semideus
No mesmo silenciar

Na feira de cada dia
No começo de cada passo
Me fiz menino arteiro
Estreitando os mesmos laços

Ainda que mal pergunte
Respostas não terei
Sou mineiro dessas montanhas
Jamais filho de rei

Agraciado com a homenagem
Pinheiro Valle faz valer
A emoção do sempreamar
No mineiro coração a bater

Já dizia Drummond:
João amava Tereza...
Eu amo os versos de Luiz Carlos
Que em mim extinguem a tristeza

Hoje fico aqui versejando
Tentando a emoção traduzir
O quanto grande é o mundo
Do poeta mineiro a sentir

A única alternativa por agora
É abraçar e enviar ao vento
Meus braços ao poeta que escreveu:
Aos poetas do meu tempo.
La Negra

Sempre que me recordo dessas coisas
Do tempo em que nos mandaram pra fora de casa
Dá vontade de chorar
Mas tudo é ultrapassado
Pela música
Pela força
Pela voz que jamais silenciada
Da grande
La negra
Que bate dentro de mim

A tristeza toma agora
Hoje, nesse domingo de azul sem valor
Grandes porções da alma
E eu,
Fraco
Sinto o silenciar do rubro som
Da melodia
Calada
Da grande voz

Ela que cantou a vida
Louvou a nossa origem
E uniu em só momento
A letra e a partida
A cor e o sabor
E lutou com sua voz
Pra realizar a sonho
De ver um só povo
A beira da igualdade
Como irmãos...

E os pedaços da alma
Agora silenciam
Já não mais cantam
Dorme

No sono eterno deita a voz da irmã
Da mestra
Da mãe
Dorme...

Mas em mim, não se acaba
A voz da garganta
Nem a fala mais dura
Contra toda a injustiça sofrida por nossa gente
E nossa língua tão cantada
É fruto da semente plantada
Pela grande La Negra

Pelas ruas
Pelas longas embernadas
Pelas manhãs de Latina América
Ela cantou
E louvou
E agradeceu...

Pelos duros passos
Pelos animais que nos amordaçaram
Pelos cantos e brejos do pensamento
Ela cantou
E louvou
E agradeceu...

Dorme, o som
A música
E a fala
De La Negra.