terça-feira, 15 de novembro de 2011

233.010.021.980


Na noite mais escura
Vi pela primeira vez
A luz moribunda
Nada mais foi dito
De um lado apenas gemidos
Dor daquela que me pariu

Depois vieram os dias
O tempo lascado na pele
E os espelhos a negar o vivente
Deixei perdidas sementes
E nada mais fiz

Quando vejo minha letra
Rascunhada nesse chão
Vejo o quão é generoso
O deus que eu não creio
Pois me fez muito mais que borrão
Livre me fez de freios

Da noite mais escura
Do mais amargo chicote
Da solidão tão absurda
Eu vi a luz
Depois parti.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Acordei

Metamorfose de Narciso - Salvador Dali

Hoje eu acordei assim:
Revestido de dia
Sobrevivido de tormenta
E esperando o tempo passar...

Tempo passa rápido
Leva de mim o brilho dos olhos
E se eu não usar
Apaga-os com a facilidade
No sempre e nunca
Do relógio a trabalhar.

Hoje levantei contando causos
Reinventando as linhas
E ditando acontecimentos nas páginas
Brancas páginas
Imaginárias.

Fiz da moeda seguro
Degustei de versos desnudos
E vivi por um simples instante
Poesia
Palavras e atos inconstantes

Desacreditei velhos paradigmas
Assassinei os preconceitos que ainda viviam em mim
E bebi em cálices de aguardente
Água, nada mais.

sábado, 17 de setembro de 2011

Andanças

Andava na noite feito andarilho,
Feito giramundo
Meus pés pisavam o chão frio da madrugada,
Meu rosto sentia o beijo da chuva fina
Andava sem rumo
Quase não andava
Parava sempre
Pra sentir o momento
Mentecapto eu?
Poeta eu?
Eu andava distante dos problemas, da vida alienada.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Quando o amor termina

 
Eu amei mais que podia
O meu amor era um segredo
Com medo da luz do dia
Amei até o fim desse enredo

Quando tudo parecia certo
Um lapso de dúvida surgiu
Tirou-me você de perto
O sonho vital então sumiu

Levou-me todo o Sol
Cegou-me cada momento
Do revolto mar sem farol
Padeci  no profundo desalento

Eu amei mais que podia
E com a perda sofri
Findou-se o amor da poesia
Dos versos que escrevi

Por mais triste que seja
Agora é fácil tudo aceitar
Não há o que eu não veja
Amor que estava a desvendar

Sonhei com o amanhã
Amei-o e isso é valia
Mesmo com fim de nosso afã
Amei mais que podia.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Potes Quebrados


Era cedo
Neblina caia
Saracura corria
Lamentava
Gritava:
__Foram três!

Um pela novidade
Outro pela esperança
E o último pelo amor

Caíram todos!
Quebrados
Estatelados
Viraram pó

Três potes
Quebrei três potes
Os três de uma só vez.

sábado, 30 de julho de 2011

Quem inventou toda a escuridão?





Primeiro me promete o amor

Depois a promessa de me proteger

No seu mais puro euteamo

Mas aí quando eu achei tudo certo

Quando pensei em voar

Fez-se o silêncio

E eu vestido de imprudências

Contrário aos avisos dos amigos

Me deitei na ilusão

Cravei poesias contrárias

No caminho que eu tracei

Onde estava você?

Nas flores, no rio, no cantar do bem-te-vi

E eu vi! Vi tudo menos eu



O euteamo se escondeu

O amor se quebrou

A escuridão me foi lançada

Os jardins queimados

Nada mais a brotar



Qual tempo foi esse?

Não pode haver só tristeza

Nem lágrimas de amor

Somente dor dor e dor



Há de passar esses dias

Há de brilhar o Sol amanhã

E apesar de tudo

Eu vou estar aqui

Sobrevivendo em minha poesia.

quarta-feira, 27 de julho de 2011


Tem dias que a poesia em mim levanta meio tristonha, cambeta das ideias e fraca para qualquer verso. Fica parada miúda no canto de cada canto de minha casa. Se saio ela vem comigo com o olhar baixo e resmungando por não saber se entrosar no versejar das saracuras e na melodia social das primeiras sabiás que cantam o amanhecer. Arrasto-a pelas mãos, balanço com ela nos galhos mais altos da ameixeira, mostro o pessegueiro em flor e tento a todo custo fazer se alegrar com o barulhinho da bica que corre no fundo do quintal. Até as borboletas se compadecem de meu esforço e fazem acrobacias poéticas para alegrá-la. Tudo em vão. Quando a poesia levanta assim, de cara virada para mim, as letras custam a escrever sua história.

domingo, 24 de julho de 2011


Quando meu vô ficou caduco esqueceu das coisas que aconteciam no agora e só lembrava do que fora no ontem. Desde que me conheço por gente, via meu vô velho. Depois da caduquice, vi ele criança. Meu vô era religioso de botar terço nas mãos e nos fazer rezar as ave-marias até o fim. Depois que ele incriançou, ensinou a todos nós a falar as línguas das aves, da rebeldia e a dançar sem música de corda. Acho que quando meu vô caducou, ficou foi é livre.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Vou-me embora de Pasárgada



Vou-me embora de Pasárgada
Nada pude aqui fazer
Mesmo sendo amigo do rei
De nada pude exercer
Tenho medo dessa lei
Da poesia que estou por escrever.

Vou antes que anoiteça
Ante mesmo o sol terminar
Levo comigo o verso meu
No peito o eterno amar
Nada em mim feneceu
Vou-me antes do desamar.

Há em minh’alma desolação
Um sabor estranho nos lábios
Passei muito tempo aqui
Já não entendo os ditos sábios
Devo ir... antes estar no ali
Do que ficar nesse balneário

De Pasárgada devo tudo
Do incerto ao mais puro
Da luz que me clareia
Devo, jamais esconjuro
O sangue que corre nas veias
E da poesia que faço uso.

Não me deitei em camas ricas
Nem beijei a face amada
Fiz apenas o que deu na telha
Agora ponho o pé na estrada
Deixo pr’atrás mansa ovelha
Que fui em terras de Pasárgada.

Vou-me embora daqui
Antes mesmo do Sol nascer
Sigo rumo a minha casa
Lá eu posso escrever
Sendo livre das amarras
Pra realmente sentir o viver.

Pasárgada beijos meus
Deixo a ti meu coração
Vou-me agora taciturno
Fazendo minha própria canção
Antes mesmo do raiar noturno
Devo seguir na contra-mão.

Vou-me embora de Pasárgada...

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Coisificando


A intolerância
O racismo
E a discriminação
Copularam.

A destruição
O sofrimento
A ignorância
Frutificaram.

Por um Deus
Por um Estado
Por um conceito
Assassinaram.

E o que restou?
E o que foi válido?
E o que adiantou?

domingo, 3 de julho de 2011

Quando as formigas falam



Tenho em mim a natureza das simplicidades e a língua das coisas comuns. Não sei muito bem definir o sabor do asfalto ou o duro gosto pelo cimento seguido de concreto, mas sei distinguir e entender a linguagem das pedras e das flores. Tenho sempre um diálogo com formigas, saracuras e borboletas. Seres esses que dizem muito em seus infindáveis meios de comunicação. Por exemplo: antes mesmo de se noticiar o inverno frio desse ano de 2011, as formigas em suas carreiras e árduo trabalho me disseram que faria um frio recorde que seria registrado em escalas negativas em todo o Brasil e principalmente aqui, onde vivo. No final de março, todas elas, ainda sob o som das cigarras, estavam trabalhando noite e dia. Geralmente as formigas trabalham a noite, para evitar qualquer contato com sabiás e bem-te-vis, mas dessa vez elas estavam fazendo hora extra. Cortavam insanamente todas as folhas, flores e brotos da roseira, e até das daninhas e das onze-horas. Até aí tudo bem, elas me diziam com aquele ininterrupto trabalho que o frio das geadas espessas estava por vir. Mas o que mais me surpreendeu foi quando, nas últimas águas de Março, quando todos os seres menores se escondem para fugir da chuva, elas, as formigas estavam dedicadíssimas no ofício de derrubar o verde das plantas e a custo de muitas vidas das cortadeiras que eram levadas pela enxurrada. Gritavam em um silêncio de criaturas simples o que estava por vir. Pronto! Confirmaram tudo para mim naquele dia: que o inverno mais rigoroso que eu já havia presenciado nos abateria. 

Pedaço d'alma

(Noite, fonte: internet)

Quando se quer algo
Se deseja do fundo do coração
Se nega todas as mesmices
Se vai longe...

Dirá que é paixão
Dirá que é loucura
Dirá que poderá não valer a pena
Dirá tantas coisas...

Então nada mais importa
O dia vira noite
A noite vira eternidade
O tempo se esvai...

O que dizer agora?
Quem irá me proteger?
Quais medos lhe assustam?
Qual verdade é mais doce?

Eu vou...
Em um voo só
Voando depois do meio-dia
Chegando antes da hora
E com o coração a mil
Desejando o seu abraço

Deixarei vales
Conceitos
Estabilidades
E passos de minha história

Num beijo de desequilíbrio
Num lapso de realização
Num sopro de sudoeste
Eu vou

Em um voo só
Mas não mais sozinho
Junto ao pedaço de alma
Que me faltava.

_________________________________________________

Há  algo que precisa ser dito sobre esse poema: foi escrito durante um período de intensa paixão, ilusão e sonho. Imaginei que eu poderia ter ido ao encontro de um grande amor, mas antes mesmo de se concretizar o sonho, ele, o amor, esvaiu-se pelos vãos dos dedos e nada pôde ser feito. Então, ficaram esses pequenos versos, testemunhas de um sonho, da paixão mais avassaladora que tive. A alma ainda está em pedaços, como o coração.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Niilismos

Valha-me navalha
Alfinetes
Al-Qaeda
Zutabe
Opus Dei...
 

Valha-me ideias novas

Antigas 
Antiquadas
Ideias, ideais apenas...
Flechas de Sebastião
De Pedro
De Maomé
Valha-me tudo
No fio da navalha.

sábado, 18 de junho de 2011

Escrita que Rola e Gira


Escrita que Rola e Gira

É filho que parido rola
É filha que bendita gira
Rola pião
Gira mundão
Escritas
Quantidades
Símbolos
Da abstração

E o homem abrindo a caixa
Gira
Rola e cai

É fogo
Na caverna pré-histórica
Iluminando a imaginação
Nos caninos da serpente, rola
A humanidade fora do portão

No arranha-céu brilha
A luz da comunicação
Aranha que tece e rola
A caixa que gira
A grande bola
Feita de ilusão

Rola
Rola
Rola
Gira
Gira
Gira

Não para não
Pois a escrita, é bendita
Escrita com os dedos
De vossas mãos. 

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Presente


(Monarca, fotografia: Diogo Dias F.)


Quando criança
ganhei de supetão
um beijo de borboleta
no jardim.
Nunca me esquecerei 
daquela tarde 
daquele tempo

Em 2011,
(eu ainda a mesma criança)
Ganhei de presente
o conhecimento
de sua existência.
E foi melhor
que o beijo daquela borboleta
naquela tarde
daquele tempo.

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Circunstâncias que me levaram a escrever esses versos:


Nunca pensei que pudesse me apaixonar por alguém da forma como tudo aconteceu. Sempre me senti seguro com minhas convicções e conceitos, tinha minha ciência e meus argumentos sólidos disso e daquilo outro, mas o que eu achava impossível me abateu com tal força, que todos os sentidos se foram, o firmamento caiu sobre minha cabeça e o solo aos meus pés desapareceu. Perdi o sentido da palavra certeza, da palavra equilíbrio. Um sentimento tão avassalador me possuía com tamanha força que não seria exagero dizer que fui transpassado pela flecha de um ser místico. Então, o único porto seguro era as letras e os versos, poucos e simples, mas esses, me aliviavam a alma quando algo necessitava ser dito, ser escrito. Escrevi esses versos em homenagem ao amor que tive e perdi nesse ano de 2011. Esse pequeno poema é um marco em minha vida, pois antes desse amor eu era um ser, apenas um ser qualquer, mas depois dele, eu sou outro. Nem sei explicar como, mas sei que sou e divido isso com os olhos do mundo. Obrigado!

terça-feira, 14 de junho de 2011

Sinestesia

(Paisagem com Borboletas: Salvador Dali)


Qual a cor da letra
que você está a escrever?
Qual sentido prudente
você usa ao me ver?
Será belo o jardim
da física em explosão?
Ou será apenas um afago
de lua no auge da canção?


Sinto vibrar dentro do peito
a multiplicidade dos dons
Que atrai em mim o sabor
doce e amargo dos bombons
Fecho os olhos e imagino as letras
azuis, amarelas e loucas
Num beijo de confusão,
uma brisa eleva e deixa a voz rouca


No estranhamento é você
ou eu que tenta definir?
São cores, são letras,
são sentimentos a fluir?
Nesse mundo de vastas interpretações
Eu fico contigo, meu amor,
com a melhor das emoções.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Asas Quebradas

(Dragão da Noite, fonte: internet)


Minhas asas negras
Caídas
Manchadas
Não podem mais voar
Não podem mais...

Fosse o céu tão perto
Da palavra que estou a cantar
Seria mais fácil
Mas não é
Perdi minhas asas
Negras asas
A voar

Onde está você?
Onde está o destino que me fez sonhar?
Pra onde foi?
Pra onde foi sua verdade?

Asas...
Não tenho mais
O sonho findou-se
Ceifou
Quebradas jaz

Agora
Nesse solo frio e estéril
Faço palco e finjo viver
Só pra esquecer
Que no céu estive
E que deus
Eu vi.

sábado, 11 de junho de 2011

(Brazópolis, manhã de março, 2011)


O dia em que apanhei



Ainda que todas as flores me sejam negadas
E que meus olhos estejam proibidos de ver os jardins
Eu ainda buscarei o perfume e o sabor das rosas.

Ainda que todas as portas se fechem
Os corações se calem
Eu ainda terei o vento pra beijar a face.

Ainda que o ódio do padrão esteja presente
Que a fúria da ignorância me rasgue o peito,
Eu estarei livre para pensar e acreditar.

Ainda que as guerras levem a morte por toda parte
E que ninguém possa ver a verdade da ganância
Eu mostrarei minha carne em dor.

Ainda que tudo possa ser diferente
E que tudo possa levar ao desespero
Eu vou estar aqui, do outro lado do abismo.  

sábado, 4 de junho de 2011

Acadêmicos

Empirismos
Logismos
Racionalismos e pós...
Logo após
O modernismo
O socio-interacionismo

É Sócrates, Platão ou Aristóteles?
É Agostinho, Aquino ou Roterdã?
Ou será Lutero, Locke ou Marx?

Acadêmicos...
Empíricos
Medindo o conhecimento
__É desse tamanho aqui ó!

Freud, Freud, Freud...
Explicará?
O sentir do amar?
Amar e desamar?
Armar e matar
Matar e nunca mais...

Freud, Jung e Samuels
Será que entra aqui o Berman?
Atenas...
Doce sol de Atenas
Não tão bela quanto brasilis
Não tão generosa quanto aqui
Mas é Atenas...
Gerais formas de conhecer
De construir
Desconstruir
Tecer
Questionar
Compreender e o melhor,
Sentir!

Será que é desse tamanho aqui, ó?

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Coração despedaçado

Era um vaso
tão formoso
Azul
Do mais puro anil
Valoroso
                                                                   Contudo
(fotografia: Filhodalua)
Não há nada
que segure
O vento
E o seu clamor

Sopra vaso
parado
Derruba
Mil cacos espalhados
E o coração
Semelhante ao vaso quebrado
Fica,
Fica assim
Despedaçado.

terça-feira, 31 de maio de 2011

(fotografia: Filhodalua)


O Assovio do Serelepe

Malandro menino na mata
Assovia ardido de estourar
Assusta num assovio a macacada
Dá até nó no rabo de jaguar

Pula e rola de cá pra lá
Gora os ovos todos no galinheiro
Monta destemido o potro da Sinhá
Sai em disparada o encrenqueiro

Se esquece e deixa o portão aberto
Entra e come de supetão todo o angu
E pra mostrar que é muito esperto
Surrupia tudo que encontra no baú

Nem adianta prendê-lo querer
Poucos conseguiram tal ato bravio
Serelepe, malandro e arteiro é esse ser
Que só se reconhece pelo ardido assovio. 

domingo, 29 de maio de 2011


Confissão

Confesso
Confesso
Confesso!

Nada sei de leis
Nem de regras
Nem de freios.

Minha poesia
É mais que livre
Pois vivi
Do jeito que eu sei.

Confesso!
A escrita em mim
É sentir
Nada pronto
Nada com devido fim.

Escrevo por amar
Por desamar
Por emancipar
Por tentar ser assim.

Confesso,
não sou poeta
nem mestre
nem nada mais.
Sou apenas livre
e isso me basta.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Deboche

Alguns gostam do pronto e acabado
Eu não, gosto do infinito
Do abismo
Do até ali...

Alguns gostam disso ou aquilo
Eu não, gosto de experimentar
Do sabor absinto
De um verso livre a tremular

Alguns são muitos
Eu não, sou único!
E gosto mesmo é poetar

Alguns... gostam das palavras certas
Eu?
Gosto de inventar!

domingo, 8 de maio de 2011

Planeta Anão

Plutão não é mais planeta
É planeta anão
Mesmo pequeno ainda é planeta
Na minha imaginação
Preenche meus olhos de luneta
O pequeno planeta Plutão.

domingo, 17 de abril de 2011

Mariposas e borboletas

Boas
Borboletas
Bobas
Que não sabem que da noite
A estrela não cega

Mariposa em traje de gala
Noturna
Voa...

Bate asas e sopra vento
Nas ventas da contra-mão

Borboletas são coloridas
Maquiadas de falsidade
Vivas cores de ilusão
Morrem cedo
Nessa vida
Enquanto a mariposa
Voa...
Nas linhas da contradição

Livre é o seu bailado
Na dança e no passo
Da linda cinza-negra
Mariposa

Esposa notívaga
Que é mais bela
Que céu cravejado
De borboletas
Bobas
Em pura cor

Voa mariposa
Enquanto cessa
O voar das boas
Bobas
borboletas.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

“Moiano” o pé

O que é vida marinha
Pra um mineiro
Que não sabe o que é o mar?

Da lagoa
Conheço do fundo
E do leito do rio
Que corre lá
Perto da ponte
De minha Sinhá
Mas não sei o que é o mar

Só sei que
Quando meus irmãos
O viram de acolá
Disseram que em suas águas
O sal parecia lágrima
De uma sereia que estava
A amar.


terça-feira, 12 de abril de 2011

Gota

Última gota
Que se cala
Que cai
No silêncio da poça
Da ponta da calha

Gota caída
Molhada
Que tomba
E fica à toa
Se espalha

Era gota malandra
Separada
Última da ponta
Da beira
Da calha.