segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A educação do PQP

Não sei se vai pra frente
Essa tal de educação
Enquanto projetos forem criados
Engavetados
Nos arquivos da nação

O pobre professor
Trabalha mais que o anuário
Não há tempo pra planejar
O dinheiro é tão curto
Que sobra mês em seu salário

Alguns dirigentes
Senhores Ministros e diretores
Sentados em poltronas finas
Sem saber a vida da escola
Desconhecem o que acontece
nos distintos bastidores

O aluno aprende e ensina
Numa constante gritaria
Que escola é coisa esquecida
Tudo se perde
E nada se cria

O discurso nas faculdades
Nos cursos de pós-graduação
Dizem as mesmas coisas
Tira o acento da ideia
Mas não muda a educação

Nesse ritmo de aprendência
Nessa forma de pensar
O Brasil não sai do Projeto
A Política sempre a mesma
E o Pedagógico é de amargar

O jeito é ir pra longe
Na rua ou no bar
Aprender o nome escrito
Pra poder na urna
Os “numuros” apertar.

Diogo Dias F.

sábado, 6 de novembro de 2010

Doido Varrido

Doido varrido
Varreu pó de estrada
Longa jornada
Varreu foi vento
Da forma contrária

Riu varrendo folha
E brincando de cangalha

Doido de tudo
Varre com vassoura imaginária

Varre rua
Varre céu
Até o chão da mortuária

Ri varrendo
Limpando a imaginação
E pensando
Na varrição extraordinária

Acho que o doido é poeta
(Ele diz ser Napoleão)
Varre asas e voa
Será ilusão?
Deve ser não
É doido apenas
Que varre com os dedos
De sua mão
As letras da tela
Do papel
Que não é encenação

É loucura
É doido varrido
Varrendo e refazendo
A criação.

Assassino


O fio afiado de meus olhos
Esquartejam sílabas e redondilhas
Pedaços menores outros maiores
Da poesia ensanguentada
Da letra morta e vazia

Faço com a métrica faca
Um furo n’alma da rebeldia
Assassino os versos poéticos
Separo os que não exaltam
A vida ou a luz do dia

Esgano com os dedos atrofiados
As letras e os sons dessas linhas
Tento acertar aquilo que repudio
E extermino com uma única fala
Minha torpe e incerta poesia.